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Terra à vista!… ou talvez não.

Era uma vez o João, solteiro e bom rapaz, mas que não sabia nadar. Tropeçou e caiu ao mar. Aturdido e assustado, esperneou, esbracejou desesperado. Quanto mais se mexia, mais se afundava. Acalmar para tentar boiar não era opção que lhe ocorresse. E a cada braçada assíncrona mais se afundava.


Vários pirolitos depois e à beira da inconsciência, surgem duas braçadas vindas do nada. Uma com a tão esperada oportunidade de ouro porque tanto lutou o João. De dentro desta primeira braçada, acenava o timoneiro um contrato e cheque de um milhão de euros. A segunda, mais modesta, apenas apresentava uma bóia.


Qual escolheria o leitor? O que em terra firme é a oportunidade de uma vida, de pouco serve se a vida poucas oportunidades tiver.


Daí que hesite muito em falar-vos - já - das portas que vejo abrirem-se, porque a poucos ainda servem e as bóias que nos lançam, precisam deveras de toda a nossa atenção… levando-me a recordar, com saudade, as de esferovite - ratada - com que aprendi a nadar no glorioso Sport Algés e Dafundo. De pouco serviam e era provavelmente esse o propósito… a ver se o pagode atinava as braçadas rapidamente.


Mas hesito em falar-vos desse mundo novo que vejo a nascer e da oportunidade das nossas vidas para corrigirmos o mal que lhe fizemos e prosperarmos, agora, sustentavelmente. Um mundo em que vejo nações inteiras, governos (…não falemos por ora do Holandês), grandes corporações (…falemos já da Holandesa Unilever) e pequenas empresas, centrados no que importa: na saúde, no parar, na casa, no cuidado, no bem-estar, no planeta, no avô, na avó, no marido e na mulher, nos filhos e nos pais, nos Espanhóis, nos Italianos e nos Franceses, no amor pelo próximo… na vida.


A Louis Vuitton disponibilizou as suas fábricas para produzir álcool e desinfetante. A Levis, a Lush e a Apple saltaram a garantir desde o início, que os seus trabalhadores continuarão a ser pagos. A DHL Express Italia, sem mãos a medir - e a eles que faltinha lhes fazem as ditas cujas - abraçou a promoção de crowdfunding para o Hospital de Bergamo. A Unilever apresentou uma resposta integrada de apoio em que se contemplam por exemplo 500M € em antecipações de pagamentos a fornecedores, contrastando exemplarmente com o compatriota responsável pelas finanças Holandesas.


Por cá, empresas de moldes produzem zaragatoas, de cerveja produzem álcool, lançam-se aplicações que nos ajudam a gerir os tempos de espera em segurança, as doações multiplicam-se, projetos de investigação adormecidos “acordam para a vida” - literalmente, os salários da Companhia de Teatro de Braga vão ser pagos por uma empresa privada e, nas redes de outdoors, a publicidade planeada é substituída por mensagens de agradecimento aos profissionais que estão na linha da frente.


Sendo evidente que as transformações profundíssimas que vamos sofrer, vão arrumar com o advento da internet num chinelo, hesito… lá está, em dizer-vos - sob pena de me julgarem bruto, insensível ou parvamente otimista - que haverá muito por onde gerar dinheiro e muitas oportunidades a navegarem vindas do nada.


Há que, primeiro, deixar passar o esbracejo, engolir uns pirolitos, mas tentar boiar para, a seguir, rapidamente conseguirmos ver as oportunidades e não as deixar navegar para outras águas.


Mas hesitei porque, lá está, o timing é tudo e se calhar ainda não é altura de acenar ao João com o cheque dourado sob risco de apenas o fazer engolir mais uns pirolitos.


Até nos voltarmos a encontrar e pudermos falar sem hesitações, façam como eu… que venha uma bóiazita de esferovite, Sr. Primeiro Ministro, que até lá aprendo a nadar ou chego a terra.


Keep safe.


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